segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Star Wars - Episódio VII - O Despertar da Força - Breves considerações.



The Force Awakens.

Imagine-se numa sala de cinema, fim dos anos 70, silêncio, quando de repente na tela aparecem letras enormes com um som estrondoso de uma orquestra anunciando a chegada de uma obra que atravessaria décadas fazendo a cabeça de jovens fãs de ficção científica/fantasia. Sim, estamos falando de “Star Wars – Episódio IV - Uma Nova Esperança”. Agora, imagine que tudo o que começa ali já vem de muito longe e as informações foram jogadas na nossa cara sem muitas delongas. Um “robô” com uma capa preta, uma princesa com penteado duvidoso, um molecote meio “emo” que vive em um deserto, um velho eremita que tem uma espada de laser, uma dupla bem amiga de robôs, um imperador sinistro e por aí vai. Todos devem ter saído do cinema sem entender muita coisa e ávidos para saber o que viria depois e até para saber o que aconteceu antes. Pois bem, assim muita gente se sentiu a sair da exibição de “Star Wars – Episódio VII – O Despertar da Força”.


Só fui ter contato mesmo com Star Wars devido a um álbum de figurinhas de O Retorno de Jedi que um amigo de infância me apresentou. Daí fui procurar saber mais. Claro que aquilo tudo me deslumbrou. Ao ver “O Império contra-ataca”, tive contato com o que podemos chamar de “o pai de todos os plot twists”. O “robô” de capa preta tinha um filho e ele era nada mais nada menos que o mocinho, o “emo” que vivia no deserto.


George Lucas, a mente por trás da saga, criou um universo vivo e rico capaz de abarcar as mais diferentes histórias. Sua mente, apesar de ser mais técnica, criativamente falando, nos brindou com horas de diversão e imaginação, mesmo dirigindo somente o episódio 4. Personagens que caíram no gosto do público logo de cara. Darth Vader está no Top 3 melhores vilões de todos os tempos (não sei quais são os outros dois rs). Após o episódio 6, o povo clamava por mais e eis que Lucas resolve contar como tudo começou realizando os três primeiros episódios. O mundo geek quase veio abaixo e em 1999 o Episódio 1 foi lançado.

Silêncio mórbido!


Nem sei por onde começar...


Em minha reles opinião, foi um balde água fria! O filme não passou nenhuma emoção. Esperava que na primeira aparição do jovem Anakin houvesse um impacto maior. Lucas, em minha análise, preocupou-se demais com aspectos técnicos em detrimento da mitologia da saga, da catarse, da simbologia, da “religião”. O que vimos foi um bonito espetáculo visual e um desperdício de ótimos atores. Por falar em visual, há quem afirme que a trilogia clássica ultrapassa tecnicamente os prequels por ser mais rudimentar fazendo com que os criadores da Industrial Light and Magic tivessem trabalho real sem deixar tudo nas mãos de processadores. O certo é que só foi melhorar mesmo no Episódio 3, com o Anakin travestindo-se de Darth Vader pela primeira vez (nem parecia que foi Lucas quem dirigiu a cena rs).


 O tempo passou e já estávamos conformados que tudo tinha acabado por ali mesmo. Só tínhamos HQs, desenho animados que tratavam de um universo expandido da saga e contavam histórias que pretendiam fechar lacunas. Aí veio a bomba! O império, sem trocadilhos, da Disney comprou os direitos de Star Wars das mãos de seu criador. Olha, poucas vezes vi tantas manifestações de ódio na internet. O mundo nerd quase tem um colapso e todos já especulavam Mickey com um sabre de luz. Eu preferi aguardar, já que a própria Disney comprou a Marvel e temos ótimas obras cinematográficas após o negócio fechado.

Outra bomba! Disney contrata J.J. Abrahams (fã incondicional da obra) para dar continuidade, ou seja, filmar os Episódios VII, VIII e IX. Melhor: com o elenco original da trilogia clássica! Meus amigos, o nicho do entretenimento ligou o sinal de alerta e suas antenas todas apontaram para tal fato. O hype nunca foi tão elevado!


Começam as especulações do elenco novo para contracenar com os “velhos”, notícias, boatos, absurdos teóricos e tudo o mais correu o mundo até que o grande dia chegou. “Star Wars – Episódio VII – O Despertar da Força” estreou.


Não preciso dizer que foi emocionante ver novamente aquelas letras enormes com o som de John Willians na tela. Para melhorar, sem a direção de Lucas.


O filme passa-se 30 anos após os acontecimentos de “O Retorno de Jedi” quando o Império sucumbiu ao último dos Jedis, Luke Skywalker, com uma ajudinha de seu papai, Lord Vader. Tudo foi uma maravilha. Porém, tudo começa já meio estranho afirmando que o Luke sumiu e todos estão à sua procura. Uma nova ordem surge para fazer tentar ressurgir o que um dia foi chamado de Império e temos a primeira controvérsia entre os fãs, o vilão. Kylo Ren aparece majestoso em sua roupa preta, máscara e voz robótica. Opa! Já vimos isso antes né? Sim, vimos, mas adoramos e aprovamos o clima saudosista ao ver a figura descer da nave causando medo aos que o fitavam. O cara parecia querer fazer um cosplay de Darth Vader e foi bem sucedido, não que tenha a mesma imponência do mestre Sith, mas causou um bom impacto. Mais para frente soubemos que Ren é neto do Vader (sim, ele é um Skywalker) e que sua obsessão pelo avô ultrapassa o bom-senso.


Kylo, chefe dos Cavaleiros de Ren, possui um mestre, o Snoke, envolto em mistérios sobre quem é e de onde veio. Snoke é o responsável por tentar fixar a Primeira Ordem com a ajuda de seu pupilo que ainda precisa de mais treino para aprimorar-se, pois não sabe controlar sua raiva, assim como seu saudoso avô em sua juventude.


Na cena em que Kylo aparece, logo no início, vimos um Stormtrooper hesitante que não deu um tiro sequer numa batalha. Temos aí mais um personagem cheio de mistérios. Ele chama-se Finn e não concorda com as atitudes da corporação da qual faz parte, fazendo com que cometa traição ajudando um piloto rebelde capturado. Finn é carismático e é de cara o alívio cômico da trama, como foi o Han Solo na trilogia clássica.
A fuga de Finn e do piloto rebelde, que se chama-se Poe Dameron, é espetacular mas acabam caindo no mesmo planeta onde estavam. Poe estava lá para pegar informações sobre o paradeiro do Luke, assim como o pessoal “gentil” da Primeira Ordem.


O planeta é Jakku. Um planeta desértico em que seu povo vive de recolher sucatas e é nesse local que conhecemos a Rey, uma jovem que vive como sucateira para sobreviver e não sabe qual o seu lugar na existência, vive de esperanças de que, um dia, sua família venha lhe buscar, mas aí que tudo degringola, pois ela é jogada no olho do furacão de uma guerra da qual não deveria fazer parte. Será? Esperemos o desenrolar.


Rey é lutadora e habilidosa nata e demonstra isso ao pilotar aquela que, digamos assim, ao lado da Enterprise, é uma das espaçonaves mais famosas, a Millenium Falcon. A cena em que a Falcon aparece pela primeira vez é coberta por nostalgia, ver aquela sucata voar novamente e fazer aqueles rodopios é de arrepiar. A personagem Rey também é cheia de controvérsia. De onde vem toda essa habilidade? Tudo fica “pior” quando a garota é “chamada” pelo sabre de luz que pertenceu a Anakin e depois ao próprio Luke. A cabeça da galera deu um nó e as reclamações foram gerais. Muita frescura! Muitas das reclamações giraram em torno desse poder todo da Rey, principalmente ao usar um sabre de luz contra o vilão super poderoso. Esqueceram que ainda vão ser lançados mais dois filmes e que tudo tende a ser esclarecido.


Certo, Rey, Kylo, Finn e Poe constituem novas inserções agradáveis à série, mas onde está a velha guarda? Han Solo, Chewie, Leia Organa e Luke Skywalker marcam sua presença de forma icônica. Estão envelhecidos e cansados daquilo tudo. Leia e Han têm um motivo todo especial para estarem frustrados, mas não contarei para não dar spoiler para quem ainda não viu. O filme é novo, mas o sentimento é antigo. Ver os personagens canônicos só nos faz agradecer. Muita gente pode não entender isso, chamando o filme de remake do Episódio IV entre outras coisas, mas isso é Star Wars, uma obra com cara de “novelão”, com mitologia, quase uma fábula e como tal apresenta-se como algo cíclico, sempre haverá o mal e sempre haverá o bem, mesmo que não se tenha certeza de quem é quem.


Sobre a parte técnica eu nem queria falar, porém J.J e sua equipe deram um show, inclusive abrindo mão de computação gráfica e usando efeitos práticos, como o próprio Lucas usou na trilogia clássica. Um deleite visual!


Meus caros, encerro por aqui para não cair na tentação de contar mais da trama (mais ainda). Se ainda não assistiram, não percam tempo e lembrem-se do Episódio 4: muita informação sem explicação não quer dizer que tudo não será colocado em seu divido lugar e obrigado Lucas, por não interferir.
  

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